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Thief Simulator VR faz de cada gaveta um teste de nervos

Você espia, decora a rotina do morador e esvazia a casa com as próprias mãos antes de a luz acender.

Gaveta entreaberta numa sala escura sob o facho de uma lanterna.

A gaveta aberta no escuro

▼
 

Em 1979, os sociólogos Lawrence Cohen e Marcus Felson publicaram na American Sociological Review um estudo sobre o crime nos Estados Unidos do pós-guerra. O resultado: os arrombamentos de residência subiram junto com o número de casas vazias durante o dia, quando mais moradores saíam para trabalhar.

A conclusão dos dois cabe numa linha. O furto acontece quando um alvo, alguém disposto a agir e a falta de um vigia coincidem no mesmo horário. A ideia ganhou o apelido de teoria das atividades rotineiras.

Agora ponha o visor. É quase meia-noite numa rua de subúrbio, você está agachado atrás de uma cerca viva, e a janela da cozinha ainda brilha. Um homem de camiseta lava a louça, seca as mãos no pano e apaga a luz.

Você anota a hora num caderninho dentro do jogo. Passou a tarde observando aquela casa, e sabe que o dono repete o mesmo gesto todas as noites, com poucos minutos de diferença.

Quando a fachada escurece, você atravessa o gramado, encosta a gazua (a ferramenta fina de abrir fechadura sem chave) no buraco da porta e gira o pulso devagar, com a própria mão, até o pino ceder.

Lá dentro, cada gaveta abre com um puxão. Você enfia a mão, tira um relógio, um notebook, um maço de notas, e joga o lote na mochila pendurada no ombro virtual. Um cachorro late na casa vizinha e o seu corpo inteiro congela sobre o tapete.

Cohen e Felson descreveram o problema pelo olhar de quem protege a casa. O jogo entrega o mesmo mapa para quem está do lado de fora da janela, e transforma a teoria num exercício de paciência com as duas mãos ocupadas.

A seção I conta de onde veio esse simulador de furto e como ele funciona, da calçada até a van.

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I  O Jogo do Dia

A rua vigiada pela cerca viva

Thief Simulator VR é um jogo de realidade virtual do estúdio polonês GameBoom VR, lançado em 2022 para o visor Meta Quest. Ele adapta Thief Simulator, jogo de computador de 2018 feito pelo estúdio Noble Muffins, que se joga com mouse e teclado numa tela comum.

Na versão de computador, o furto é uma sequência de cliques. No visor, cada passo vira gesto: você se agacha com os próprios joelhos, estica o braço para destrancar a janela e segura a lanterna numa mão enquanto a outra revira o armário.

O ciclo começa num esconderijo, um barracão de fundo de quintal onde ficam as ferramentas e chegam as encomendas. Cada trabalho aponta uma casa do bairro e, às vezes, um objeto específico que alguém quer comprar.

Antes de qualquer porta, vem a vigília. Da calçada, você observa o morador e o caderno do jogo registra quando ele sai, quando volta, quando apaga as luzes e se há cachorro no quintal.

Em Thief Simulator VR, o furto começa na calçada, com o caderno aberto, muito antes de a primeira gaveta ranger.

Sem as anotações, você entra às cegas. Com elas, escolhe a janela de tempo em que a casa fica vazia, ou a hora em que o dono já dorme no quarto dos fundos.

A fechadura é um minijogo de pulso. Você encaixa a gazua e gira o pulso com cuidado, procurando o ponto em que o pino cede. A pressa atrapalha, e o tempo parado na porta é tempo exposto para quem passa na rua ou olha da janela vizinha.

As ferramentas sobem de nível com o progresso. A gazua abre fechaduras simples, e a loja do esconderijo libera equipamentos melhores à medida que o seu ladrão ganha experiência e dinheiro.

Dentro da casa, o barulho manda. Correr, derrubar um vaso ou quebrar um vidro acorda quem está deitado, e o vizinho atento pode chamar a polícia. Quando a sirene aparece, a única opção é largar o que pesa e fugir pelo quintal.

A mochila tem limite. Objeto pequeno vai no ombro; televisão, micro-ondas e computador de mesa vão nos braços até a van estacionada na esquina, numa caminhada lenta e tensa pelo corredor.

De volta ao esconderijo, o lote vira dinheiro na venda, e o dinheiro compra a ferramenta da próxima casa. O jogo inteiro gira nesse circuito de vigiar, entrar, carregar e vender, e cada volta deixa o bairro um pouco mais conhecido e o seu ladrão um pouco mais ousado.

 
 

II  Por Que Vale a Noite

O pulso acelera na frente da gaveta

Vale a noite porque o jogo troca o tiro e a corrida por um prazer raro no visor: esperar a hora certa e agir sem fazer barulho.

“Uma tela ligada a um computador digital nos dá a chance de ganhar familiaridade com conceitos impossíveis no mundo físico. É um espelho para um país das maravilhas matemático”, escreveu Ivan Sutherland no ensaio The Ultimate Display, de 1965.

Sutherland pensava em geometria e física. Thief Simulator VR leva a frase para outro lado: deixa você ensaiar uma transgressão sem vítima, num bairro onde nenhuma televisão tem dono de carne e osso.

O primeiro prazer é a vigília. Ficar parado atrás de uma cerca, de olho numa janela acesa, parece tedioso no papel. No visor, a espera vira tensão, porque a sua cabeça está ali e o morador pode olhar para fora a qualquer momento.

O segundo prazer mora nas mãos. Puxar uma gaveta com o braço, sentir o notebook pesar na mão virtual e encaixá-lo na mochila dá ao furto um peso físico que o mouse nunca deu na versão de 2018.

O terceiro é o susto. Uma luz acende no andar de cima, e o seu corpo se abaixa antes de você decidir abaixar. O jogo aposta nesse reflexo: o visor engana o corpo, e o corpo reage como se a casa fosse de alguém.

Há quem jogue no modo cauteloso, uma casa por noite, com o caderno cheio. Há quem entre pela porta dos fundos sem olhar a rotina e descubra no susto quem está acordado. As duas maneiras funcionam, e cada uma rende uma noite diferente.

Há também o prazer do planejamento cumprido. Quando a anotação do caderno bate com o relógio, a luz apaga na hora prevista e a casa fica sua por vinte minutos, o jogo devolve a sensação de um plano bem feito, rara em jogos de ação.

Os senões existem. Os gráficos são simples, longe dos jogos mais caros do visor, e as casas do bairro se parecem entre si depois de algumas invasões.

Os moradores seguem a IA (inteligência artificial, o comportamento programado dos personagens) do jogo, que às vezes é ingênua: um dono pode não notar a gaveta revirada perto da cama.

Andar pela casa com o controle, sem dar passos reais, pode enjoar quem é sensível ao movimento. Comece em sessões curtas e procure nas opções de conforto do jogo o teleporte e o giro em saltos, que reduzem o mal-estar.

 

Quem banca a edição de hoje

Every winter, North America ships road salt in from overseas, two weeks away by boat. Atlas Salt (TSXV: SALT) is developing a Newfoundland mine that can deliver in just days.

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III  Preço e Duração

Quanto custa a primeira invasão

Estúdio: GameBoom VR.

Lançamento: 2022.

Jogo original: Thief Simulator, 2018.

Visor: Meta Quest.

Controle: as duas mãos.

1

Observe uma casa inteira antes de tocar na fechadura.

2

Ande agachado e nunca corra perto do quarto.

3

Esvazie a mochila na van antes da segunda leva.

4

Ligue as opções de conforto na primeira noite.

Thief Simulator VR se compra na loja de aplicativos da Meta, a Meta Horizon Store, e fica guardado na sua conta. Esta edição não conferiu o preço em reais na data de envio: a loja cobra em moeda local e muda o valor em promoções sazonais.

Antes de pagar, abra a página do jogo no aplicativo Meta Horizon do celular. Ali aparecem o preço do dia, a lista de visores compatíveis e as avaliações de quem já jogou.

Quem tem um visor ligado ao computador pode procurar a versão de PC na loja Steam. Esta edição não confirmou se o progresso passa de uma plataforma para outra, então escolha uma só antes de começar.

A duração se mede por casa. Uma invasão bem planejada, com a vigília inteira, ocupa algo entre meia hora e uma hora de jogo, e a primeira tende a durar mais, porque você ainda aprende os gestos.

Esta edição não conferiu o total de horas da campanha. O que pesa é o ritmo: o jogo rende mais em noites de uma ou duas casas do que numa maratona, porque a tensão da vigília cansa a cabeça.

O tema é furto, e o jogo não esconde o assunto. Para quem joga com criança por perto, vale abrir a classificação indicativa na página da loja antes da compra.

Para a primeira noite, reserve uma hora livre e um canto da sala sem móveis no alcance dos braços. O jogo pede gestos largos ao abrir janela e carregar objeto, e um abajur no caminho do braço termina a invasão antes da hora.

O espaço físico pede pouco. Dá para jogar sentado no sofá, com o giro pelo controle, mas a experiência cresce de pé, porque o agachamento atrás da cerca vira movimento real dos joelhos.

Passar a primeira meia hora na calçada, decorando o horário do morador, ou entrar direto pela porta dos fundos e descobrir no susto quando a luz acende. As duas noites estão descritas acima.

 
 
Quiz da edição

Segundo a edição, em que ano o estúdio GameBoom VR lançou Thief Simulator VR para o visor Meta Quest?

A2018
B2020
C2022
D2024

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