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ED 024

Real VR Fishing: o lago coreano que cabe na sua poltrona

A cadeira da sala vira barco, o lago à frente é um lugar que existe no mapa, e a voz do amigo entra na mesma água.

Vara apoiada na borda do barco, com a boia parada no lago ao entardecer.

A boia parada no lago ao entardecer

 

A boia sobe e desce a três metros da proa. Você está sentado na cadeira da sala, com os pés apoiados no tapete e as costas encostadas no encosto, e o lago à sua frente é um lugar que existe no mapa da Coreia do Sul, com a margem fotografada de dentro de um barco de verdade.

Não existe passo a dar. O barco é o seu assento, a vara é o controle da mão direita, e o carretel gira quando o polegar encosta no manete.

O lançamento é de braço inteiro. Você puxa a vara por cima do ombro, solta o gatilho no meio do movimento e a isca sai voando com o peso certo, longe demais na primeira tentativa e curta demais na segunda, até o braço entender sozinho a distância que a linha aceita.

Depois vem a espera, e a espera é o jogo. A superfície devolve o reflexo do céu e você fica ali olhando um ponto vermelho que não faz nada durante um minuto inteiro.

Quando o peixe morde, o controle vibra num padrão irregular e a boia some de uma vez. O braço reage antes da cabeça, você levanta a vara e sente o motor do controle puxando pro lado errado, porque o peixe não vem em linha reta.

A cadeira continua sendo cadeira. Nada no jogo exige que você levante, gire o corpo ou dê um passo pra trás, e por causa dessa escolha de projeto a sessão inteira acontece sentada, com o fone no ouvido e o café ao lado do braço.

O amigo entra pela voz. Ele aparece no barco ao lado, comenta o tamanho do que você acabou de puxar, aponta com o controle a parte do lago onde alguma coisa está mordendo mais, e a conversa continua mesmo quando ninguém está fisgando nada.

Antes da conta em reais e do tanto de noite que o lago come, vale a ficha completa: quem fez o jogo, como os cenários foram capturados dos lugares reais e o que muda de um lago pro outro na lista.

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I  O Jogo do Dia

Um lago da Coreia digitalizado em 360

A cadeira da sala não precisa deixar de ser cadeira.

Real VR Fishing é o jogo do estúdio sul-coreano MirageSoft, lançado em 2019 na loja da Meta e atualizado desde então, que monta cada cenário a partir de captura fotográfica de 360 graus feita em lagos e reservatórios que existem no mundo real.

A base do cenário não é modelagem de artista. A equipe leva a câmera até o local, registra o entorno em alta resolução e usa a imagem capturada como o horizonte do mapa, com a geometria do barco, da água e da vegetação próxima construída por cima.

O resultado tem uma característica que separa o jogo do resto do catálogo: a margem distante parece uma fotografia porque é uma fotografia, e a sensação de estar num lugar específico vence a de estar num cenário genérico de pescaria.

A lista de locais começou pela Coreia do Sul, com reservatórios e represas conhecidas dos pescadores locais, e cresceu com pacotes que levaram o jogo pro Japão e pros Estados Unidos, cada um com peixe próprio e regra de horário própria.

O ciclo de dia e noite roda por conta. Um mesmo lago às seis da tarde e à meia-noite entrega duas partidas diferentes, com espécie diferente na água, luz diferente na superfície e som diferente vindo da mata.

A margem distante parece uma fotografia porque é uma fotografia.

O equipamento é a camada de progressão. Vara, carretel, linha e isca aparecem em níveis distintos, e cada peixe pescado vira dinheiro do jogo que você gasta pra subir um degrau do conjunto e alcançar espécie que a linha fraca não segura.

A mecânica de briga é simples de aprender e difícil de acertar. Você mantém a vara inclinada, solta linha quando a resistência aumenta e recolhe quando o peixe cansa, e forçar o recolhimento na hora errada arrebenta a linha e devolve você pro silêncio.

O modo com outras pessoas acontece em sala pequena. Você abre o lago pra amigos, cada um chega no próprio barco, e a comunicação é por voz aberta, sem menu de emote nem texto digitado no ar.

O conforto é ponto central do projeto. A locomoção é por teletransporte curto entre pontos do barco, o horizonte fica sempre estável, e o jogo entra na categoria de experiência sentada em quase toda lista de recomendação pra quem enjoa em visor.

O aparelho compatível é qualquer Quest da linha atual, com a versão do Quest 3 ganhando textura melhor na água e distância de desenho maior na margem. O jogo também existe em PC VR e no PlayStation VR2, com o mesmo conteúdo de base.

 
 

II  Por Que Vale a Noite

A voz do amigo chegando pela água

O que faz esta pescaria render a noite é a combinação de esforço físico quase nulo com atenção alta: o corpo fica parado na cadeira enquanto os olhos e o ouvido trabalham, e a conversa por voz encaixa exatamente no vão que a espera abre.

Quase todo jogo de visor pede corpo. Braço levantado, giro de cintura, passo lateral, agachamento. Depois de quarenta minutos o ombro reclama e a sessão termina por cansaço, não por escolha.

Aqui o gasto é outro. O braço direito faz um movimento a cada dois minutos, o esquerdo segura a vara na base, e o resto do tempo o corpo fica no repouso que uma cadeira de sala oferece bem.

A atenção, porém, não cai. Você observa a boia, escuta o barulho da superfície e a expectativa da mordida mantém a cabeça ligada mesmo com o corpo em descanso.

"A pesca com vara é uma vara com um verme numa ponta e um bobo na outra", escreveu Samuel Johnson segundo o registro de James Boswell em A Vida de Samuel Johnson, de 1791, na passagem em que o biógrafo recolhe as tiradas do amigo sobre passatempos.

A piada envelheceu mal justamente pelo motivo que faz a versão em visor funcionar. O tempo parado é o produto, não o defeito: quem senta pra pescar está comprando o intervalo entre uma mordida e outra, e o visor entrega esse intervalo com paisagem real e sem mosquito.

A voz é o que transforma o intervalo em programa. Dois amigos em barcos vizinhos passam a maior parte da sessão conversando sobre outro assunto, e a pescaria fica de pano de fundo, do mesmo jeito que acontece na margem de um lago de verdade.

Como demonstração pra visitante, a taxa de acerto é alta. A pessoa senta, recebe a vara, lança errado duas vezes e acerta na terceira, e o primeiro peixe puxando o controle costuma arrancar uma reação alta de quem nunca colocou um visor.

A regra de anfitrião é curta. Comece no lago de manhã, com peixe pequeno e mordida frequente, deixe a espécie grande pra segunda rodada, e avise que a mordida demora, pra pessoa não largar o controle no primeiro minuto de silêncio.

A primeira ressalva é o ritmo. Quem procura ação contínua vai achar a pescaria lenta, porque a espera é parte do desenho e nenhum ajuste do menu encurta a mordida.

A segunda ressalva é a repetição. O ciclo de lançar, esperar, brigar e guardar se repete a noite inteira, e a variação vem do lago, do horário e do equipamento, não de uma mecânica nova a cada hora.

A terceira ressalva é a companhia. Sozinho o jogo é bom, acompanhado é bem melhor, e quem não tem alguém do outro lado do fone perde metade do motivo pra abrir o lago numa sexta à noite.

A leitura desta edição saiu da ficha oficial da loja, do material público da MirageSoft sobre a captura fotográfica dos locais e de sessões acompanhadas no Quest 3 com voz aberta entre dois barcos.

Quem banca a edição de hoje

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III  Preço e Duração

R$ 158 e um lago que não acaba

Na loja: US$ 29,99 na Meta Horizon Store, com os lagos de base e os pacotes extras vendidos à parte.

No cartão: dólar a R$ 5,10 mais 3,5% de IOF fecham a fatura perto de R$ 158.

Na promoção: o título já apareceu por US$ 14,99 em campanha sazonal, o que põe a conta perto de R$ 79.

No aparelho: qualquer Quest da linha atual. O Quest 3 entrega água e margem melhores, sem conteúdo exclusivo.

No armazenamento: perto de 6 GB. Numa linha de 100 megabits o download leva cerca de oito minutos.

1

Comece pelo lago de manhã antes de encarar o horário noturno. A mordida frequente ensina o gesto do lançamento sem punir o erro, e o braço aprende a distância em dez minutos.

2

Suba o carretel antes de subir a vara. A linha arrebentando na briga é o motivo mais comum de sessão frustrada, e o carretel melhor resolve mais que uma vara cara com linha fraca.

3

Combine a voz antes de abrir o lago. A sala fechada com um amigo muda a natureza do programa, e entrar sozinho por engano deixa a impressão errada logo na estreia.

4

Jogue com fone e a luz da sala baixa. O som da água e o barulho da mata fazem metade do trabalho de presença, e a luz de teto acesa apaga o entardecer que o jogo desenha.

A conta por hora fecha bem no preço cheio. Quem joga em sessões de meia hora costuma passar de trinta horas antes de esgotar os lagos de base, o que põe a hora perto de R$ 5, entre as melhores do catálogo do visor.

Onde o preço se paga é na recorrência. O jogo não termina numa noite: ele vira o lugar onde você senta duas vezes por semana com a mesma pessoa, e um catálogo inteiro de campanha curta não entrega esse hábito.

A saída da loja é a de sempre: reembolso em até catorze dias, com menos de duas horas jogadas. Duas horas cobrem o primeiro lago, a primeira briga difícil e uma amostra honesta do ritmo, então dá pra decidir com informação real na mão.

O aparelho continua sendo o maior número da conta. Um Quest 3S de 128 GB tem etiqueta de US$ 299 nos Estados Unidos, e a Meta não vende no Brasil, então a importação cobra 60% de imposto federal mais o ICMS do estado.

Um jogo de R$ 158 que transforma a cadeira da sala num barco parado num lago fotografado de verdade se paga na segunda visita, porque o programa que volta toda semana vale mais que a campanha que termina no domingo.

"Você abriria o lago sozinho ou só entraria na água com um amigo na voz?"

 
 
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No texto, quem é apontado como autor da frase sobre a pesca com vara ('um verme numa ponta e um bobo na outra'), segundo o registro do biógrafo?

AJames Boswell
BSamuel Johnson
CO estúdio MirageSoft
DUm pescador anônimo da Coreia do Sul

Resultado da última edição: 0% acertaram.

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Dia 7 de 7 · a temporada de agosto fecha 31/08

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