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PowerWash Simulator VR faz da sujeira a noite mais calma do visor

Uma mangueira na mão, uma parede imunda à frente e o prazer de ver cada tijolo voltar à cor original.

Jato de lavadora abrindo faixa limpa em parede suja.

A sujeira sai em faixas, uma passada por vez

▼
 

Em 2015, o psicólogo Adam Hanley e colegas da Universidade Estadual da Flórida pediram a 51 estudantes que lavassem louça. Quem lavou prestando atenção na água morna, no cheiro do sabão e no peso de cada prato relatou 27% menos nervosismo e 25% mais inspiração mental depois da tarefa, segundo o estudo publicado na revista Mindfulness.

O outro grupo lavou a mesma louça do jeito de sempre, com a cabeça nas tarefas do dia seguinte, e não teve ganho nenhum. A pia era igual, os pratos eram iguais. Mudou só o lugar onde a atenção ficava enquanto as mãos trabalhavam.

Agora a cena. Você põe o visor e aparece num quintal de subúrbio inglês, diante de uma casa de tijolo coberta de lodo verde. A calçada tem manchas pretas de anos, e a cerca de madeira perdeu a cor. Na sua mão direita, uma lavadora de alta pressão.

Você aperta o gatilho. O jato sai com um chiado firme, e onde ele passa a sujeira desaparece numa faixa limpa, com o vermelho do tijolo surgindo por baixo. Você arrasta o braço devagar e a faixa cresce, passada por passada.

Ninguém aparece para atacar. Nenhum cronômetro corre no canto da visão, e você não tem vida para perder. A única pressão no quintal é a da água saindo do bico.

Quem olha do sofá vê um adulto apontando o braço para a parede da sala por meia hora, em silêncio. Quem está de visor vê uma casa inteira mudar de cor sob o próprio gesto, e termina a sessão como os estudantes de Hanley: a cabeça ficou onde as mãos estavam.

Por trás dessa cena estão um estúdio inglês, um jogo de computador que virou fenômeno e uma mangueira que, no VR, passou a obedecer ao seu braço. A seção I mostra como a lavagem funciona, bico por bico.

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I  O Jogo do Dia

A mangueira como único controle

PowerWash Simulator VR é a versão para realidade virtual de PowerWash Simulator, jogo do estúdio FuturLab, de Brighton, na Inglaterra. O original saiu completo em 2022 para computador e consoles, e a adaptação chegou aos visores da linha Meta Quest, onde roda sem cabo e sem computador.

A premissa cabe numa linha: você abre uma pequena empresa de lavagem a jato e aceita serviços pela cidade fictícia de Muckingham. Cada serviço é um lugar imundo, como uma van, um parquinho, um quintal ou um bangalô, e o trabalho só termina quando a última mancha sai.

O controle direito vira a lavadora. O gatilho solta o jato, e um botão troca o bico. Os bicos mudam o ângulo da água: o mais fechado concentra o jato num ponto e arranca crosta grossa, o mais aberto espalha a água em leque e limpa superfície larga com menos força.

O jogo também oferece extensões de cano, para alcançar calha e telhado, e frascos de produto de limpeza (o sabão próprio de cada material, como pedra, metal ou madeira), que amolecem a sujeira antes da passada.

Em PowerWash Simulator VR, o progresso aparece na parede, faixa por faixa.

Cada peça do cenário tem a própria barra de limpeza. Quando a roda de um carro chega a 100%, ela solta um brilho e um som curto de sino, e sai da lista de pendências. Esse estalo pequeno, repetido dezenas de vezes por serviço, sustenta a sessão inteira.

Para achar o que falta, existe um modo de destaque: com um botão, toda sujeira restante acende numa cor forte, e você caça os últimos pontos sem varrer a casa de novo com os olhos.

A adaptação mexeu no corpo do jogo. No computador você mira com o mouse; no visor você se agacha para limpar o para-choque, estica o braço até a calha e anda em volta da van. O deslocamento pelo cenário pode ser por teletransporte (saltos de ponto em ponto) ou por deslizamento contínuo, à escolha.

Para quem enjoa fácil, há o giro em ângulos fixos, que vira a câmera de uma vez em vez de deslizar e poupa o estômago nas primeiras sessões.

O som carrega metade da experiência. O jato muda de tom conforme bate em metal, vidro ou madeira, e a vibração do controle acompanha a água quando ela encontra uma crosta mais dura.

A campanha cresce em tamanho. Os primeiros serviços são uma van e um quintal, bons para aprender os bicos sem pressa, e os seguintes sobem para parquinho, casa e veículos maiores, com mais superfícies e mais tipos de sujeira em cada cena.

 
 

II  Por Que Vale a Noite

A calma de ver a parede clarear

Vale a noite porque o jogo troca a tensão por um progresso visível, e a cabeça desacelera junto com o braço.

“Enquanto se lava a louça, deve-se apenas lavar a louça”, escreveu o monge vietnamita Thich Nhat Hanh em O Milagre da Atenção Plena, publicado em 1975.

O estudo de Hanley partiu dessa frase, e o jogo da FuturLab parece construído sobre ela. Não há nada para pensar além da próxima faixa de parede, e a mente que costuma pular de assunto em assunto encontra um único lugar para ficar.

O primeiro prazer é o contraste. A sujeira do jogo é grossa e realista, com lodo, ferrugem, poeira e marca de pneu, e cada passada revela uma superfície limpa embaixo. Ver a cor voltar dá a satisfação de tirar a película de um celular novo.

O segundo é a ordem. Você decide a sequência: primeiro o telhado, depois as janelas, por último o chão. Ninguém cobra roteiro, e montar o próprio método vira parte da graça.

O terceiro é o corpo. No visor a faxina pede agachar, girar o tronco e esticar o braço, num movimento leve e contínuo, sem salto e sem susto. Dá para jogar de pijama sem acordar ninguém em casa.

O quarto é o desafio escondido. A calma não deixa o jogo fácil: os últimos pontos de um serviço costumam estar atrás de uma grade, embaixo de um banco ou na parte de dentro de um cano, e achar cada um pede paciência de detetive.

O som do bairro completa a calma. Não há música de tensão, só a água batendo e um ou outro passarinho, e o volume baixo combina com a casa já dormindo.

Há senões. Quem quer ação vai achar a proposta monótona em minutos, porque o vigésimo serviço se faz com o mesmo gesto do primeiro. O jogo depende de você gostar da repetição.

O braço cansa. Segurar o controle no alto para limpar um telhado por muito tempo pesa no ombro, e convém alternar entre partes altas e baixas do cenário.

O visual também simplificou. Rodando no próprio visor, as texturas ficam menos detalhadas que no computador, e objetos pequenos perdem nitidez quando vistos de longe.

Antes de comprar, confira na loja a lista de idiomas. Esta edição não conseguiu confirmar se há legenda em português, e os menus de bico, de produto e de serviço aparecem em texto.

 

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III  Preço e Duração

Quanto custa a faxina mais calma do VR

Na loja: Meta Quest Store.

No estúdio: FuturLab, Inglaterra.

Na origem: PowerWash Simulator, 2022.

Na partida: um jogador.

No controle: dois controles.

No ritmo: sem relógio nem inimigo.

1

Comece pelo bico mais aberto e troque pelo fechado só nas crostas.

2

Limpe de cima para baixo, porque a água escorre e respinga.

3

Ligue o modo de destaque quando a peça empacar perto do fim.

4

Alterne telhado e chão para descansar o ombro.

O pagamento acontece uma vez só, e o jogo fica guardado na sua conta Meta. O preço em dólar aparece na página da Meta Quest Store e costuma cair nas liquidações sazonais; no cartão brasileiro, somam-se o câmbio do dia e o IOF da compra internacional.

Quem já tem o jogo no computador deve olhar a página com atenção. A versão do visor aparece como produto separado na loja da Meta, e esta edição não confirmou se há desconto para quem comprou a outra.

Os serviços pequenos, como uma bicicleta ou uma van, cabem numa sessão curta. Os grandes, como uma casa inteira, pedem várias noites, e o progresso fica salvo no meio da lavagem.

O peso no bolso continua no visor. O Meta Quest 3S, modelo mais barato da marca, sai por US$ 299 nos Estados Unidos; no Brasil não há venda oficial, e a importação paga 60% de imposto federal sobre o valor, com o ICMS do estado por cima.

A Meta libera seus visores a partir dos 10 anos, e aqui o conteúdo não traz violência: é água, sabão e sujeira, o que faz do jogo uma boa primeira experiência em VR para a família.

Se a sujeira miúda parecer borrada, ajuste a distância entre as lentes no próprio visor. Enxergar bem os pontos finais é metade do prazer de fechar um serviço.

Libere espaço em volta antes de começar: você vai esticar o braço para cima e para os lados, e agachar perto do chão para alcançar a calçada.

Limpar cada serviço até a última mancha acender 100%, caçando os pontos escondidos atrás da grade, ou largar a lavadora quando a parede já parece limpa e partir para o próximo quintal. As duas maneiras de jogar estão descritas acima: qual delas desacelera você no fim do dia?

 
 
Quiz da edição

No estudo de 2015 do psicólogo Adam Hanley com 51 estudantes lavando louça, qual foi a redução de nervosismo relatada por quem lavou prestando atenção na água morna e no cheiro do sabão?

A15% menos nervosismo
B20% menos nervosismo
C27% menos nervosismo
D35% menos nervosismo

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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