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A sala de 1995 tem tapete, televisão de tubo e uma porta que nunca fica fechada.
Pixel Ripped 1995, do estúdio brasileiro ARVORE, saiu em abril de 2020 para Meta Quest, PlayStation VR e computadores com visor, como continuação de Pixel Ripped 1989, lançado dois anos antes.
A série nasceu com a designer brasileira Ana Ribeiro, que montou o primeiro protótipo como projeto de mestrado na National Film and Television School, a escola britânica de cinema e televisão. A ARVORE, fundada em 2017 por Ricardo Justus, Rodrigo Terra e Ricardo Laganaro, levou o protótipo adiante e transformou a ideia em série.
O estúdio já tinha prêmio grande na prateleira. Em 2020, The Line, curta em realidade virtual dirigido por Laganaro, levou o Emmy de inovação em mídia interativa, a primeira estatueta da premiação para uma produção brasileira de VR.
Em Pixel Ripped 1995, você é David, um garoto apaixonado por videogame, sentado no chão da sala diante da televisão. Dentro do cartucho mora Dot, a heroína pixelada, que precisa impedir o vilão Cyblin Lord de escapar do jogo e bagunçar o mundo real.
As fases homenageiam a era dos 16 bits (os consoles domésticos da metade dos anos 1990, de gráfico em pixels grandes e trilha de sintetizador): plataforma, briga de rua em rolagem lateral, corrida, aventura de espada e um RPG de turnos (o jogo de papéis em que cada lado ataca na sua vez).
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Você nunca controla só a Dot: controla o garoto que segura o controle, e o garoto também precisa sobreviver à sala.
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O controle virtual fica nas suas mãos, com os botões no lugar de sempre, e comanda a heroína na televisão. Ao mesmo tempo, sua cabeça gira livre pelo cômodo, e é ali que aparecem os problemas: a mãe na porta querendo saber da lição de casa, alguém mexendo nos seus cartuchos, um barulho que pede resposta rápida.
A solução costuma ser física e rápida. Você esconde o jogo, mira um objeto, distrai quem chegou e volta à fase a tempo de segurar a heroína na beira do buraco. Quem demora na sala perde vida na tela; quem ignora a sala leva bronca e perde a partida do mesmo jeito.
Em certos trechos, o vilão rasga a fronteira. Os pixels transbordam da televisão, invadem o quarto em três dimensões, e a fase que era plana passa a acontecer ao redor do seu corpo, com a Dot correndo pelo tapete.
Cada capítulo fecha com um chefão de 16 bits e uma cena de vida real, e o jogo termina quando Dot e David derrotam Cyblin Lord e o vilão volta preso ao cartucho, sem pendência para outra partida.
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