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Phantom: Covert Ops, a missão secreta que você cumpre remando

Você atravessa a base inimiga numa canoa, prende a respiração sob os holofotes e só pega o rifle quando o silêncio falha.

Canoa militar preta parada num canal escuro sob o facho de um holofote.

Uma canoa à espera da sua remada

▼
 

Em 1995, Mel Slater, Martin Usoh e Anthony Steed, da University College London, puseram voluntários num ambiente virtual e mudaram só o jeito de se deslocar. Quem marchava no lugar com o próprio corpo relatou sentir-se mais dentro do mundo virtual do que quem avançava apontando a mão para a frente.

O estudo saiu na revista ACM Transactions on Computer-Human Interaction com o título Taking Steps (Dando Passos, em português) e virou referência para quem desenha movimento em realidade virtual. A ideia central cabe numa linha: quando o corpo trabalha para levar você, o cérebro acredita mais no lugar.

Quase todo jogo de tiro no visor ignora a lição. Você empurra um analógico (a alavanca do controle), o cenário desliza, e as pernas paradas no tapete não sabem de onde veio o movimento.

O jogo desta edição resolve o problema com um barco. Você coloca o visor, senta numa cadeira ou fica de joelhos no chão e olha para baixo: está dentro de uma canoa militar estreita, pintada de preto, boiando num canal de água escura.

Não existe botão de andar. Para avançar, você segura o remo com as duas mãos e puxa a água, um lado e depois o outro. Para virar, rema forte só de um lado. Para parar, enfia a pá na água e segura.

A canoa é também o seu arsenal. Presos nas laterais ficam um rifle, uma pistola e granadas, e você larga o remo, pega a arma, mira, atira e devolve tudo ao lugar sem que o barco saia de baixo de você.

A missão pede silêncio. Holofotes varrem o canal, soldados patrulham as passarelas, e a melhor rota quase sempre passa por baixo de um píer, colada na sombra, com o remo parado para a água não fazer barulho.

Remar devagar no escuro, prender a respiração quando a luz passa a um palmo da proa e seguir viagem sem ninguém notar: a graça mora nessa espera.

Quem fez a canoa, onde a história se passa e por que o remo muda o jogo vêm logo abaixo.

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I  O Jogo do Dia

Uma canoa que é transporte, arma e esconderijo

Phantom: Covert Ops é um jogo de ação furtiva em realidade virtual lançado em junho de 2020 pela nDreams, estúdio britânico de Farnborough, na Inglaterra, especializado em jogos para visor. Saiu para o Oculus Quest e o Oculus Rift, aparelhos que hoje a Meta vende como linha Quest.

A história se passa no fim da Guerra Fria. Você é um agente de elite das operações secretas, de codinome Phantom (fantasma, em inglês), enviado sozinho para impedir que uma facção militar soviética rebelde provoque uma guerra a partir de uma base escondida entre canais.

Toda a infiltração acontece sobre a água. Os canais cortam a base inimiga como ruas, e a canoa é o único veículo: você não põe o pé em terra firme, nem para pegar munição, nem para derrubar um guarda.

O remo responde ao gesto real. A pá entra na água no ângulo em que você a coloca, e uma remada curta e funda empurra diferente de uma longa e rasa. Remar para trás dá ré, e girar o barco no lugar pede uma mão em cada sentido.

As armas ficam guardadas no próprio casco. Para trocar, você solta o remo, estica a mão até a lateral da canoa e pega o rifle, a pistola ou a granada no lugar onde cada uma fica presa.

O rifle tem mira telescópica e silenciador, e a canoa balançando na água pede mão firme na hora do disparo. Segurar a arma com as duas mãos ajuda o tiro longo a sair onde você mirou.

Em Phantom: Covert Ops, o remo que leva você é o mesmo gesto que esconde você.

A furtividade tem regras claras. Ficar na sombra apaga você da vista dos guardas, remar rápido faz barulho, e um corpo derrubado num lugar visível dispara o alarme de quem passar depois.

Quando o alarme toca, o jogo vira fuga. Os soldados atiram do alto das passarelas, e a saída é remar para o escuro, abaixar o corpo dentro da canoa e esperar a busca esfriar.

As fases mudam de cenário. Há canais de concreto, pântanos de mato alto, galpões alagados e trechos de mar aberto, cada um com rotas alternativas para quem procura um caminho fora da vista.

 
 

II  Por Que Vale a Noite

O suspense de remar sob o holofote

A noite rende porque cada metro avançado sai do seu braço, e cada guarda que não viu você é prova da sua paciência.

“Toda guerra se baseia no engano”, escreveu o general chinês Sun Tzu em A Arte da Guerra, tratado de estratégia militar do século V a.C.

Phantom: Covert Ops transforma a frase de Sun Tzu em gesto. Você vence enganando a base inteira, passando por baixo do nariz de quem vigia, e o tiro vira o plano B.

O primeiro prazer é a tensão. O holofote passa a um palmo da canoa, você para de remar, e o coração acelera numa sala onde nada acontece além da sua respiração.

O segundo é a autoria do plano. Cada canal oferece mais de uma rota, e escolher entre o atalho vigiado e a volta longa pelo mato é decisão sua, com o resultado na sua conta.

O terceiro é o corpo. Remar por meia hora trabalha ombros, braços e abdômen, e a sensação de puxar a água fica nos braços depois que o visor sai da cabeça.

O quarto é o conforto. Sentado, sem andar pela sala e com o movimento nascendo da sua própria remada, o jogo segue a lição de Slater e tende a pesar menos no estômago do que um tiroteio em que o analógico arrasta você pelo mapa.

O som faz metade do trabalho. Com fone de ouvido, a remada da esquerda soa na esquerda, a conversa dos guardas vem da passarela certa, e o ouvido aprende a localizar a patrulha antes do olho.

O quinto é a atmosfera. Névoa sobre a água, luz amarela das torres e o som do remo cortando o canal dão à missão clima de filme de espionagem.

A primeira ressalva é o tiroteio aberto. Quando a furtividade falha, o confronto direto fica difícil, e quem gosta de entrar atirando vai sentir o jogo empurrando de volta para a sombra.

A segunda ressalva são os braços. Remar sem descanso cansa, e quem joga de pé sente as costas antes do fim da fase; a cadeira resolve.

A terceira ressalva é a mira em movimento. A canoa nunca fica totalmente parada, e o tiro longo pede um segundo de calma que a patrulha nem sempre concede.

Para quem quer sentir o suspense de uma infiltração e não só assistir a ela, as ressalvas se resolvem com uma cadeira firme e um pouco de paciência no remo.

 

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III  Preço e Duração

O que a missão pede do seu canto da sala

Na loja: Phantom: Covert Ops saiu por US$ 29,99 na loja da Meta, em compra única e sem assinatura.

No modo: um jogador, com campanha em fases e canais que dá para repetir atrás de uma rota mais limpa.

Na sessão: no ritmo furtivo, cada fase pede meia hora ou mais de remo e espera.

No aparelho: linha Quest sem cabo e sem computador, ou o Rift ligado ao PC.

No espaço: uma cadeira sem braços e um metro livre para cada lado, por causa do remo.

1

Jogue sentado numa cadeira sem braços. O remo precisa de espaço dos dois lados do corpo.

2

Afaste a cadeira da mesa e da parede. A pá virtual atravessa o móvel, a mão real não.

3

Rode a primeira fase devagar. Parar sob as pontes ensina onde ficam as sombras antes de você precisar delas.

4

Devolva a arma ao casco depois do tiro. A mão livre volta ao remo mais rápido na hora da fuga.

A conta por hora favorece o jogo. Uma compra única abre uma campanha inteira, e refazer um canal procurando a rota sem alarme rende noites extras sem custo novo.

O aparelho segue como o maior gasto. Um Quest 3S de 128 GB tem etiqueta de US$ 299 nos Estados Unidos, a Meta não vende oficialmente no Brasil, e a importação cobra 60% de imposto federal mais o ICMS do seu estado.

O estúdio tem currículo no gênero. A nDreams lançou depois Fracked, de 2021, e Ghostbusters: Rise of the Ghost Lord, de 2023, ambos para o Quest, e Phantom segue à venda na loja da Meta.

Quem tem criança em casa precisa de atenção extra. A Meta indica os visores Quest a partir de 10 anos, e Phantom traz violência com armas de fogo, o que pede um adulto decidindo antes da compra.

Quem joga com alguém em casa ganha plateia. O Quest espelha a imagem no celular ou na TV, e quem assiste vê você congelar com o remo no ar enquanto o holofote passa.

Atravessar a base inteira sem disparar um tiro, colado na sombra e com o remo parado a cada holofote, ou largar o remo na primeira passarela e abrir caminho no rifle. O canal aceita as duas missões, e a rota é sua.

 
 
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Como você faz a canoa avançar em Phantom: Covert Ops?

AAperta o botão de andar no controle
BEmpurra o analógico para a frente e o cenário desliza
CPuxa a água com o remo, um lado e depois o outro
DMantém a pá parada na água, e o barco segue sozinho

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