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Maestro é um jogo de realidade virtual do estúdio francês Double Jack, lançado em 2024 para os visores Meta Quest. O jogador assume o pódio de uma orquestra sinfônica e conduz peças clássicas com as mãos nuas, lidas pelas câmeras do visor por rastreamento de mãos (hand tracking, o recurso em que o aparelho enxerga os dedos sem controle algum).
A mão direita faz o papel da batuta (a varinha fina do regente). Cada descida do braço marca um tempo do compasso, e o jogo confere se a sua batida cai junto da pulsação da música. Bater cedo demais apressa a orquestra; bater tarde deixa os músicos arrastados.
A mão esquerda cuida da expressão. Erguida com a palma para cima, pede mais volume; abaixada com a palma para baixo, pede que o som encolha. É o gesto que os regentes de carne e osso usam para segurar um naipe (o grupo de instrumentos iguais, como os violinos ou os metais).
O olhar também comanda. Para chamar um naipe, você vira o rosto para ele e aponta. Os músicos daquele grupo erguem os instrumentos e entram no compasso seguinte, sem esperar mais nada.
Cada peça vem dividida em trechos, e um marcador de pontuação mede três quesitos: a precisão do tempo, o acerto das entradas e a resposta às mudanças de intensidade. Errar não para a música; ela segue torta, e você ouve o estrago na hora.
O repertório mistura clássicos de concerto e de ópera, com nomes como Mozart, Beethoven e Bizet. São melodias de comercial e de desenho animado, e a graça está em reconhecer a música e perceber que, desta vez, ela obedece a você.
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Em Maestro, a música só anda quando a sua mão desce: o compasso inteiro mora no seu braço.
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Há também um modo livre, sem nota nem medalha. Você escolhe a peça e rege do jeito que quiser, lento como um funeral ou rápido como uma perseguição, e a orquestra acompanha cada capricho.
Entre uma peça e outra, um texto curto apresenta a obra: quem compôs, em que época e o que a música queria contar. São duas ou três frases, lidas em segundos, e chegam na hora certa, quando a melodia ainda está no ouvido.
O palco muda conforme o progresso. As primeiras peças acontecem num ensaio vazio, com cadeiras de plateia desocupadas; as seguintes sobem para salas de concerto cheias, com aplauso no final de cada obra.
Os gráficos têm traço de animação, com músicos de rosto simpático e cenário iluminado em tons quentes. O visual serve à música: o que convence é o atraso zero entre o seu gesto e o som que sai das caixas.
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