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Cook-Out transforma 4 amigos numa cozinha em pânico divertido

Montar sanduíche, mexer a sopa e salvar o pedido de um ogro impaciente, todos gritando e rindo na mesma sala.

Bancada de cozinha com sanduíche pela metade e caldeirão.

Quatro mãos, uma bancada, fila na janela

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Em 2010, a pesquisadora Anita Woolley, da Universidade Carnegie Mellon, publicou na revista Science um estudo com pequenos grupos resolvendo tarefas juntos, de quebra-cabeças a negociações. O desempenho de cada grupo quase não acompanhava o QI médio dos integrantes; acompanhava a sensibilidade social deles e o quanto a palavra circulava entre todos.

Os grupos em que uma pessoa monopolizava a conversa iam pior, mesmo quando essa pessoa era a mais brilhante da mesa. Na leitura de Woolley, inteligência coletiva se parece menos com um gênio cercado de ajudantes e mais com uma conversa bem dividida.

Agora imagine um sábado à noite. A visita acabou de chegar, e quatro pessoas estão de pé na sala, cada uma com um visor na cabeça. Dentro dele, vocês dividem uma cozinha de madeira à beira de uma estrada de conto de fadas. Na bancada, pães, folhas de alface, fatias de tomate e um caldeirão fervendo.

Pela janela do balcão chega o primeiro cliente: um ogro de dentes tortos, com o pedido desenhado sobre a cabeça. Pão, queijo, carne, pão. Atrás dele vem outro, e mais outro, e a paciência de cada um aparece numa barrinha que encolhe a olhos vistos.

Ninguém dá conta sozinho. Alguém corta, alguém frita, alguém monta, alguém leva o prato. Em poucos minutos a sala inteira grita ao mesmo tempo: “Cadê o tomate?”, “A carne queimou!”, “Passa o pão!”. Nenhum dos quatro está lendo manual. Todos estão conversando.

O jogo se chama Cook-Out, e a graça dele mora justamente onde Woolley mediu: vence a equipe que divide a voz, e não a que tem o jogador mais rápido. Quem acerta o ritmo sai da partida rindo; quem tenta fazer tudo sozinho vê a fila de monstros crescer pela janela.

Quem criou essa cozinha, por que ela funciona tão bem com visita em casa e o que vocês precisam para montar a noite estão logo abaixo, começando pelo estúdio sueco e pelo primeiro cardápio.

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I  O Jogo do Dia

Uma cozinha para quatro pares de mãos

Cook-Out: A Sandwich Tale é um jogo cooperativo de realidade virtual do estúdio sueco Resolution Games, de Estocolmo, lançado em 2020 para o visor Oculus Quest. Até quatro pessoas dividem a mesma cozinha, cada uma no próprio visor, e preparam pedidos para uma clientela de criaturas saídas de contos de fadas.

A Resolution Games nasceu em 2015, fundada por Tommy Palm, que antes ajudou a transformar Candy Crush Saga num fenômeno de celular na King. Desde o começo, o estúdio aposta em jogos de VR fáceis de entender e feitos para jogar com outras pessoas.

A campanha é dividida em capítulos, e cada um leva a cozinha para um cenário diferente, com bancadas, fogões e ingredientes arrumados de outro jeito. A história serve de moldura: o que importa é a fila na janela.

O cardápio começa pelo sanduíche. O pedido aparece sobre a cabeça do cliente, camada por camada, e a ordem conta: queijo embaixo da carne não é o lanche que ele pediu com o queijo em cima.

Depois entram as sopas, que pedem outro tipo de cuidado. Os ingredientes vão para o caldeirão, cozinham por alguns instantes e precisam sair na hora certa, antes de queimar.

Cada cliente traz uma barra de paciência. Se ela esvazia, ele vai embora com fome, e a pontuação da fase cai para a equipe inteira, porque a nota depende de quantos pedidos saíram certos e a tempo.

Em Cook-Out, a receita é fácil e a cozinha é difícil: o lanche sai simples, e a confusão nasce de quatro pessoas mexendo nas mesmas panelas.

O controle é o próprio corpo. Você pega o pão com a mão, corta o tomate com a faca, joga a carne na chapa e entrega o prato pela janela, com gestos que qualquer pessoa entende no primeiro minuto.

A bancada não é infinita. Os ingredientes ficam espalhados pela cozinha, e muitas vezes o queijo está ao lado de quem não precisa dele. Arremessar um ingrediente para o colega do outro lado vira parte do jogo, e as primeiras tentativas costumam acabar no chão.

O visual lembra um desenho animado: cores fortes, personagens de olhos grandes, cenários de livro infantil. A escolha deixa a cozinha legível mesmo no meio da correria, quando ninguém tem tempo de procurar a faca.

Dá para jogar sozinho, mas o jogo foi pensado para a equipe. Com dois jogadores a correria já aparece; com quatro, a cozinha vira um pequeno restaurante em hora de pico.

 
 

II  Por Que Vale a Noite

A conversa salva o pedido

Vale a noite porque transforma a visita em equipe: em poucos minutos, quatro pessoas que mal tocaram num visor estão combinando funções, rindo dos erros e comemorando cada prato entregue.

“O jogo é mais antigo que a cultura”, escreveu o historiador holandês Johan Huizinga na abertura de Homo Ludens (O Homem que Joga), de 1938.

Huizinga defendia que brincar junto cria um pequeno mundo à parte, com regras próprias, onde quem participa se sente do mesmo grupo. Cook-Out monta esse mundo numa cozinha, e as regras cabem num pedido de sanduíche.

O primeiro prazer é a divisão de tarefas. Na primeira fase, todo mundo tenta fazer tudo e esbarra nos outros. Na terceira, sem ninguém mandar, já surgiram o cortador oficial, o chapeiro e quem cuida da janela.

O segundo é o erro engraçado. Um tomate arremessado que cai no caldeirão errado, um sanduíche montado de cabeça para baixo, um ogro saindo bufando: a falha vira piada, e a piada segura a turma no jogo.

O terceiro é a curva curta. Quem nunca usou VR aprende a pegar, cortar e entregar em minutos, porque os gestos são os da cozinha de verdade. Ninguém fica de fora esperando a vez de entender o controle.

O quarto é o resultado de Woolley trabalhando a favor da equipe. Quem fala melhor serve mais, e a melhora aparece na pontuação da fase seguinte, sem que ninguém tenha ficado mais rápido com as mãos.

O quinto é o convite à distância. Além da sala, a cozinha aceita jogadores pela internet, e o amigo de outra cidade entra na mesma bancada com o próprio visor.

Há senões. O mais evidente: são quatro visores para quatro jogadores. Quem tem um aparelho só joga sozinho ou chama amigos online, e a graça da visita na sala depende de cada um trazer o seu.

O conteúdo também é contido. A campanha tem poucos capítulos, e um grupo animado pode ver todas as cozinhas em poucas noites; depois, sobra repetir fases para melhorar a nota.

O jogo foi feito para o primeiro Quest. Nos modelos novos a imagem sai limpa, mas o visual simples entrega a idade.

A gritaria é parte da graça e cobra o preço dela: num apartamento de parede fina, a partida das onze da noite pode virar assunto no grupo do condomínio.

Passados esses pontos, sobra a cena que vale a noite: quatro adultos de pé na sala, gritando por tomate, e um ogro satisfeito saindo pela janela com o lanche certo.

 

Quem banca a edição de hoje

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III  Preço e Duração

Bancada montada antes da campainha

Na loja: Meta Quest Store.

No estúdio: Resolution Games, Suécia.

No lançamento: 2020.

Na equipe: de 1 a 4 jogadores.

No modo: cooperativo, online.

No cardápio: sanduíches e sopas.

1

Instale o jogo em todos os visores antes de a visita chegar e deixe cada aparelho logado.

2

Libere um metro e meio em volta de cada jogador, com distância entre as pessoas da sala.

3

Combine as funções na primeira fase: quem corta, quem cozinha, quem entrega.

4

Troquem de função a cada fase, para ninguém ficar preso na chapa.

A compra é única, sem assinatura, e cada visor precisa da própria cópia. O preço em dólar aparece na página do jogo na Meta Quest Store e muda com as promoções; no cartão brasileiro, entram o câmbio do dia e o IOF. Para uma noite de quatro, a conta se multiplica por quatro, e esperar uma promoção compensa.

Cada fase dura poucos minutos, o que deixa o jogo fácil de encaixar entre o jantar e a sobremesa. A campanha inteira cabe em algumas noites, e as fases vencidas ficam abertas para a equipe buscar uma nota melhor.

O visor é o gasto maior. Nas lojas americanas, o Quest 3S de entrada sai por US$ 299; como a Meta não mantém venda oficial por aqui, o aparelho entra importado, e o imposto federal de importação de 60% se soma ao ICMS estadual.

Para a turma mais nova, a Meta fixa em 10 anos a idade mínima da linha Quest. Cook-Out não tem violência, só ogros impacientes e comida voando, e serve de boa porta de entrada para a família.

Ninguém precisa dominar inglês para jogar: os pedidos aparecem em desenho, camada por camada, sobre a cabeça do cliente.

O espaço conta em dobro. Com várias pessoas de pé na mesma sala, cada uma presa no próprio visor, braços se cruzam com facilidade; a regra mais segura é cada jogador ter seu canto e não sair dele.

Chamar a visita para a cozinha com quatro visores na sala, cada um no seu canto e todo mundo gritando junto, ou deixar dois jogadores na sala e abrir as outras vagas para amigos online. As duas formações estão descritas acima: com qual delas a sua cozinha abre no sábado?

 
 
Quiz da edição

Quem fundou a Resolution Games, estúdio sueco responsável por Cook-Out, e de onde ele veio antes disso?

AJohan Huizinga, 1938, veio da Ubisoft
BTommy Palm, 2015, veio da King, onde ajudou a criar Candy Crush Saga
CAnita Woolley, 2010, veio da Carnegie Mellon
DTommy Palm, 2020, veio da Electronic Arts

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